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o pôr-do- sol

Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.
Pôr do Sol…

 


Respiro. Inspiro e expiro! E suspiro…. O lugar parece vazio com ausência de um algo que, pressinto, voltará em breve. O espaço fica vago, mas esperando o preenchimento que só esse algo oferta. Existe uma sensação de plenitude, uma sensação de compreensão do silêncio de quem fala por palavras mudas, de quem não emite som… Existe um olhar que não se vê, mas se sente. É a complexidade do “algo que não é falado” mas que é fortemente sentido. É aquilo que chega a emocionar pela veemência e virtuosidade complexa, mas que no fundo é tão simples. É tão simples, engraçado, é tão simples! É uma mescla emocional que apenas dá espaço à razão para ela concordar com tudo. É a racionalidade agrilhoada, só para o bem da emoção, só para tudo ser sentido, só para tudo fazer mais sentido.
É uma compreensão, uma escuta mutável, uma escuta libidinosa, sem que de sexo se trate. Uma escuta que é libidinosa só porque a palavra existe e também nos transforma e ensina. O sexo é outra coisa, é um outro patamar evolutivo, nos meandros da escuta e da compreensão. O sexo, é outra coisa!
E é aí, no meio desse silêncio, esse silêncio que ecoa por todo lado, que bate nas paredes e sussurra, que se esconde por entre bizarrias e depois nos surpreende, que o suspiro brota. O suspiro de vontade de reencontro, o suspiro que fala mais alto que mil pregões juntos. Quem suspira, exala um odor a saudade, saudade de algo que está tão presente, aqui, nos meus sentidos.
A polvorosa criada por memórias, em nada se equipara á explosão de palavras, toques e emoções partilhadas outrora. Existe uma sensação de esperança num algo desconhecido. Isto só acontece, porque emociona toda aquela verdade exposta em diferentes silêncios que nos guiam para um outro patamar! Um patamar de exaltação do sermos nós, de nos vermos e não sermos outra coisa que somente nos atrasa e dificulta. É verdade, somos nós, o eu e o tu, seja lá quem fores, ou onde estejas…
Permito-me á alegria da lembrança de um beijo e deito-me na minha cama, o algo espera-me, lá longe, no trilho que nos leva um ao outro sem que nenhum de nós se aperceba o quanto já percorremos até termos cá chegado!
Os lençóis já me abraçam, eles sabem o quão complexa para mim é a solidão, por isso eles tentam enlaçar-me. Refugio-me neles que nem uma criança, esperançoso, pueril e sonhador. A almofada, essa, sussurra-me no ouvido segredos, segredos que eu conheço, segredos do lado de lá. Sempre foi boa companheira, ela apoia minha cabeça e embala-me numa viagem calma e segura, uma viagem ao meu outro lado…
Ali perto, a lua espreita, ela fica curiosa com o mundo que dá voltas. Procura sempre alguém que também dá voltas com ele, ao invés de se prender firme a um chão que não lhe pertence! A lua fala-me que eu tenho de me colocar em orbita com a vida, só assim não acabarei agoniado. Eu só penso que é engraçado como o mundo parece querer desviar-nos do nosso trajecto, apenas conseguindo com isso, que nos aproximemos mais do nosso destino.
Destino… Quem percebe disso é o sol. No ultimo por do sol, ele disse-me: “amanhã estou de volta, esse é o meu destino, partir, somente para regressar!”
Cada dia compreendo melhor o sentido de tais palavras, mantenho-as para mim não as partilhando. O silêncio é importante, para que tudo fique dito…
Deixo aqui o silêncio e espero que me percebas

 

 

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