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deusa das ondas

Nas ondas te procuro para normalizar a sede do meu corpo
que se embriaga no sal dos teus lábios sedentos de amor.
Feroz o mar ensina-me a respeitar os sons e os ecos que vêm de longe.
Há um céu coberto de nuvens de cores diversas,
com perfume de rosas e sol que se afaga na linha do horizonte.
Nas ondas te procuro. Quero fermentar essas vestes de seda,
teu corpo que se abriga da liquidez da paisagem com fumo
que se ergue para lá das colinas transparentes.
Olhas-me entre as gotas de água, esverdeadas na purpurina dos meus actos.
Esse cabelos soltos ao vento atraem-me.
Esvoaço como um abelha até ao espelho de entrada do teu ouvido.
Sopro suavemente minha existência à tua inalterada beleza.
Digo-te palavras que não se revelam aqui neste poema
por serem demasiado íntimas. Por serem demasiado nossas.
Hoje o mar escreve na espuma o limite dos meus desejos,
hoje o mar absorve a luz dos meus olhos que se reflecte no teu coração.
A noite aproxima-se, tu és a deusa que caminha tranquila na areia.
Não tens medo da companhia das gaivotas. Não tens medo que elas te observem,
que elas mergulhem na seda e te descubram o interior com as asas.
Estou perto. As minhas mãos agarram o papagaio
que o vento teima em não deixar cair. Ágora posso voar.
Amanhã quem sabe poderei correr de mão dada contigo
antes que o tempo se gaste e a vitória das anémonas se torne realidade.
Amanhã, como hoje, seremos nós. Seremos ondas. Seremos mar.
Seremos serenidade de algas. Teremos a luz das estrelas.
Nasço de novo. Morro nos teus braços com a imensidade da vida.
Visualizo janelas. Abro-as. Atravesso-as. Busco por ti.
Corremos pela praia sem parar. Sentimos sem parar.
Eu sou teu. Mas tu, tu também és minha.

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